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segunda-feira, 20 de setembro de 2010

terça-feira, 20 de novembro de 2007

Atitudes fazem a diferença:

Pombos pela cidade:
É perceptível ao caminhar pela cidade de Santos o crescente número de pombos (Columbia livia) espalhados pelos mais variados locais. Se antes estas pragas urbanas concentravam-se apenas nas áreas periféricas da cidade, hoje podem ser vistas em grande quantidade na orla, nas avenidas e nas ruas dos mais diversos bairros.
Qual o motivo deste crescimento desenfreado de pombos em nossa cidade?
A sujeira. O lixo que se esparrama pelas ruas da cidade é um excelente alimento para elas e isto é um grande atrativo para qualquer praga urbana, sejam pombos, ratos, baratas, ou de qualquer outra espécie.
Assim como para acabar com a Dengue, para acabar com esta praga quem deve agir é a população (tudo bem que uma ajudinha pública, como o aumento da presença dos garis pelas ruas não faz mal a ninguém).
Sei que os pombos ainda não são vistos por todos como pragas que são, e muito pelo contrário, muitas pessoas os vêem como aves românticas e são considerados símbolos da paz.
Porém, é apenas uma questão de tempo (e curto) para que espalhem doenças pela cidade e estas não são poucas: dermatites, micoses profundas como Criptococose e Histoplasmose, doenças infecciosas como Ornitose e Salmonelose são alguns exemplos.
Não custa nada varrer a sua calçada, fechar bem os sacos de lixo, recolher as fezes dos animais domésticos, fechar caixas de ar condicionado e não jogar “restinhos” de comida enquanto passeia pelas ruas à pé ou de carro. Atitudes conscientes e limpas tornarão nossa cidade mais bela e saudável.

Autoria: Cristiane Barreto dos Santos, Administradora de Empresas e estudante de Arquitetura e Urbanismo – (UNISANTA).

sexta-feira, 25 de maio de 2007

Prefixo de inverno

Eu adoro invernos. Apesar de ainda não ser esta estação oficialmente, o clima já dá sinais da sua chegada. As mulheres passam a usar casacos, botas, golas altas e até cachecóis; um verdadeiro convite à curiosidade.

Um dos meus passatempos prediletos nessa época é ver os cabelos esvoaçando. Não importa se os fios são meticulosamente emparelhados ou poeticamente desalinhados: o vento brinca sem pudor com todas as madeixas. As reações se reduzem a duas, a indignação por ter sido desfeito o trabalho de horas de cabeleireiros confessionários ou um riso maroto de quem já aprendeu usar o vento a favor para organizar o que, de uma maneira peculiar, é uma bagunça organizada.

Este dia de frio que [tenho fé que] irá se repetir, desperta nas pessoas uma esperança graciosa onde pouca coisa é suficiente para modificar o dia. Um exemplo claro deste sentimento é a presença do Sol. Aquele que em um passado próximo castigava e reduzia o raciocínio, hoje chega tímido e te envolve como um amigo que lhe aquece. Agora o astro rei é companheiro. Passamos os dias de inverno esperando sua visita.

Nessa serenidade de que pouco com Deus é muito, tomando um café e recebendo um afago solar, comecei a pensar sobre o que escrever pra coluna desta semana. Pensei nas quadrilhas do alto escalão; ver mega-esquemas desmantelados e prefeitos, governadores e deputados caçados é bom, mas não é original. Então pensei nos juízes, procuradores e até no ministro do STJ que está sob investigação, também é repeteco.

Descartei falar do delegado federal envolvido nessa falcatrua porque não é justo com a Instituição. Só temos notícias de pouquíssimos mentecaptos e, durante o governo do Lula, a Polícia Federal tem desempenhado um papel único, como em nenhum outro governo. Espero o Tarso Genro não estrague tudo.

Nada me pareceu tão bom quanto ficar com meu amigo Sol, um café e a esperança de ver os afiados ventos gélidos se divertir com os comportados ou rebeldes cabelos femininos. Hoje não vou analisar nada, apenas aceitar a esperança.

Um abraço,

Eduardo Morello

segunda-feira, 26 de março de 2007

Pelo fim do desgosto

Falem o que quiserem, mas pra mim o mau do século é a televisão. Não o aparelho em si, mas a alienação crescente que este provoca dia a dia. Mais nocivo que o conteúdo pseudo cultural das emissoras que brigam pelo Ibope, é a inserção publicitária criada às raias da cultura de guerra.

Digo isso porque fui a experimentar um desses produtos instantâneos com promessa de sabores inimagináveis. Induzido por uma pífia esperança, levando embaixo do braço uma revista com a entrevista do Gabeira cercada de mentiras digitais (assim que uma amiga que escreve pra Cult define as revistas masculinas), fui ao supermercado.

Enquanto procurava no freezer tentava imaginar o conteúdo da reportagem, afinal Gabeira tem um passado político memorável e um presente muito respeitado, a matéria devia ser excelente. Nomes como o deputado Gabeira, o senador Eduardo Suplicy, a ex-senadora Heloísa Helena, os ex-governadores Leonel Brizola e Miguel Arraes são [vivos ou mortos] a tábua de salvação para que escrutínio não caia em descrédito total e absoluto.

Suspirei e pensei: “grandes políticos”. De súbito, percebi que não havia muitos nomes para citar, seria deficiência de minha memória ou da casta que nos representa? Em uma época onde o marketing tem um poder superior ao debate, onde começar a procura por estandartes de nobreza política? Não sou ingênuo ao ponto de achar que os bons políticos são perfeitos, mas nos exemplos citados, o saldo é incomparável, quase cabal.

Os atuais políticos são contemporâneos aos demais perfis talhados para inflar o gosto público. Novos músicos, atrizes, artistas plásticos e sabe-se lá mais o quê são meticulosamente criados para agradar os escravos televisivos. É incontestável que tanto rigor para criar uma personalidade sobre outra, irá esvair a essência humana. O medo de perder sua posição topocêntrica cicatriza a máscara ao artista e ao político.

Quando me dei conta, questionava como o povo brasileiro aceitava pacificamente a morte da espontaneidade, do ardor guerreiro de nossos representantes. Tudo isso em frente a uma sessão de alimentos prontos para o consumo, onde tentava escolher qual o sabor, mesmo sabendo que todos teriam gosto de tempero de miojo. Sorri do antagonismo de minha revolta e abandonei a compra.

Quem escolhe por você, durante quatro anos, não pode ser prêt-à-porter. Não escolha os embalsamados, emparedados, encurralados e tantos outros ados que suprimem a vontade humana. Você é um individuo, então aja como tal.

Ah, ia me esquecendo, evite comida industrializada. Esses flavorizantes, corantes, conservantes, aromatizantes e anabolizantes que compõe a mistura não fazem bem a saúde.

Um abraço,
Eduardo Morello

As eternas viúvas do PT

Para essa semana, eu estava decidido a escrever, sobriamente, sobre política. Além de acompanhar os fatos da semana, tento perceber o que aflige à população ou, pelo menos, desperta a dúvida.

Enquanto tomava um cafezinho, não consegui evitar e ouvi a conversa de dois pseudodoutores que portavam seus imaculados jornais. Discutiam sobre um artigo de Arnaldo Jabor, que dizia como ele estava indignado com a violência do País e o que deveria ser feito para solucionar mais esse problema.

Nesse hábito de viver tentando contar o amanhã ainda hoje, o jornalista e sua obrigação moral se tornam um mito, uma lenda. Conversar com um jornalista é como encontrar um elfo ou um gnomo. O que é para ser sempre questionado é aceito como o líquido do Santo Graal. Qualquer dia desses, assim como médicos e advogados são doutores, nós receberemos o desígnio de São.

Saí rapidamente em direção ao caixa, mas não tive saída: fui chamado à conversa.

Viro-me e já vem um “o que você achou do artigo dele (Jabor)?”, perguntou um dos ilustríssimos. Para cortar logo, mandei um “não li”. Mas, como meu destino era ouvir esse despautério, rapidamente apareceu um recorte de jornal com o que fora publicado.

Não lê-lo teria sido o meu mais sublime ato. Digo isso porque é triste ver que homens com a capacidade, com o dom de estimular discussões preferem uma visão pessimista em que nada presta e só eles vêem a verdade. Daqui a pouco a medida moral desses intelectuais independentes será em litros de água de salsicha. Só falta sair gritando: “Vamos devolver o Brasil para Portugal!”. Mas como a verdade deve ser dita, a coluna é bem escrita e tem um bom momento, quando dá o alerta de que a discussão não é política, mas sim humana. Isso é muito importante e essa tônica deve ser levantada, ainda que a indignação deste patriota tenha início nas férias, em Portugal.

Depois de defender que o intelectual não deve se omitir às barbáries, o que é uma outra verdade, ele cita o caso Celso Daniel como um conveniente arquivamento de investigação. Pronto. Não faltava mais nada. Agora toda desgraça é culpa do PT. Houve um assassinato, a culpa é do PT. Assaltaram um banco, culpa do PT. Drogas, extorsão, seqüestro, carnê atrasado das Casas Bahia: PT, PT, PT e PT.

Virou governo, virou conspiração. Se eu atrasar meu aluguel, já tenho a resposta: PT. Não sou a favor do PT, longe disso. Acredito que a dívida moral e social do partido com o Povo Brasileiro é enorme, mas daí a virar boneco de pano em sábado de Aleluia é um pouco demais. Apesar de já estar enjoado de ler o Clóvis Rossi criticando o partido do governo eu bato palmas, pois tem conteúdo, tem fundamentação.

Queria saber quem o Arnaldinho culpou quando assassinaram o Chico Mendes, o PC Farias ou o governador do Acre, Edmundo Pinto. Essas viúvas do PT têm uma qualidade que todo flamenguista tem. Se não se lembra, vou falar pra você: “Uma vez flamengo, flamengo até morrer”.

Um abraço,
Eduardo Morello

Só de sacanagem

Apesar de não ter nem a metade da idade dos grandes nomes que me inspiram a escrever artigos opinativos e, neste caso, editoriais, utilizo uma maneira convencional para organizar as idéias: escrevo o primeiro rascunho a mão, com data e local no topo, como faz Ariano Suassuna ou faziam os falecidos Leonel Brizola e Assis Chateaubriand, o Chatô.

Por motivos tão subjetivos quanto inexplicáveis, guardo em um cesto artesanal os rascunhos dos editoriais e artigos com devidas marcações do que foi utilizado e o que foi descartado.

Pois bem, de tempos em tempos o receptáculo artesanal precisa ser esvaziado. Com um saudosismo anacrônico à minha geração, rapidamente passo os olhos sobre os manuscritos antes de lhes dar o derradeiro fim. Para meu infeliz espanto, quase todas as anotações são sobre golpes, traições nacionais e sociais, escândalos de desvios, tráfico de influência, favorecimentos, atitudes criminais e imorais que o povo vem, dia após dia, aceitando placidamente como se fosse o cotidiano nacional. Normal como comentar o clássico do futebol de domingo ou o último capítulo da novela.

Apesar de analisar insustentáveis absurdos, no final sempre escrevi uma idéia de fé, força ou uma cutucada para [que pelo menos eu tivesse a esperança de] fomentar o questionamento, a dúvida do leitor. Depois do relato de um feito escatológico, de quem prefere revelar sua essência malévola a defender os oprimidos, sempre vinha uma tentativa de demonstrar a luz no fim do túnel.

O primeiro impulso foi de rasgar e queimar tudo para que não usem contra mim em uma ação de interdição. O medo de ser levado em uma camisa-de-força, arrastado pelos corredores, calçadas e ruas chegou a me dar taquicardia. Imaginei a ironia da cena: olhares piedosos de todos em direção aqueles que eu queria tirar do escuro da caverna. Só ia faltar eu gritar “por que vocês não tomaram a pílula vermelha que Morpheus deu?” numa alusão a Matrix, que ninguém iria entender porque tomaram a pílula azul.

Depois mudei de idéia. Nasci subversivo. Sou tão do contra que quando nasci saíram primeiro os pés. Vou ser mais otimista ainda, vou aumentar o tom do discurso e o perímetro das idéias. Vou ter mais fé na humanidade, na evolução do povo. Só de sacanagem eu vou ser mais otimista. Só de sacanagem vou ser mais idealista. E tantos outros quantos eu puder convencer.

Vou ser tão otimista quanto Tom Zé disse que é honesto. Se esse é o meu destino, eu aceito de bom grado o peso que imputam À minha caneta. Serei partidário de Paulo Leminski: “Não discuto com o destino, o que pintar eu assino!”.

Um abraço,
Eduardo Morello

Bum bum paticumbum prucurundum

Apesar de o País ter voltado à normalidade de cirandas políticas, houve um episódio que atravessou o samba, tanto o carioca quanto o da Baixada, de que eu preciso falar.

No Rio de Janeiro o compositor Nelson Sargento teve sua família impedida de desfilar e, por conseguinte, recusou-se a entrar na avenida. Já Beth Carvalho foi barrada em pessoa. Aliás, foi expulsa do desfile da Mangueira. Sorte de Cartola que está no céu, assim não corre o risco de ser mais uma vítima da instituição verde e rosa.

O tempo foi curto para acompanhar a maioria dos desfiles da Região Metropolitana. Ao assistir ao desfile em Cubatão, do palanque [que deveria ser apenas] para a imprensa, me deparei com uma cena semelhante durante o desfile da Nações Unidas: na arquibancada, Fábio Rosa, o Faboca; no gradil, Fabrício Lopes, ambos apaixonados pela escola.

Na Mangueira e na Nações, duplas tão distantes e destinos tão semelhantes. Sambistas e compositores ficaram fora da passarela do samba.

Inesquecível a época em que as escolas ainda eram de samba. Onde ser sambista era muito mais que alguns minutos na passarela. Quando a tradição falava mais alto que o apadrinhamento.

Hoje o samba é dirigido de forma egocêntrica. Carnavalescos estrelas e destaques vaidosos, orquestrados por dirigentes esquizofrênicos vão perdendo a cadência do samba. Sábia foi Beth Carvalho quando profetizou que a paga da mão estendida é a traição. A história do samba agora só tem lugar na arquibancada.

A maioria dos contemporâneos fala do carnaval apenas como mais um feriado nacional. “O samba que se dane”, como bem mostram os destratos ocorridos. Compará-los à velha guarda é até covardia. Não fica pedra sobre pedra.

Se a evolução do samba tivesse seguido o curso normal, o carnaval seria bem melhor do que é. Talvez não tivesse esse destino tão medíocre se o arbítrio dos egos não obrigasse tantos outros a margearem a alegria, condenados apenas por amar o samba.

Antes de deixar meu tradicional abraço, deixo aos que tentam dirigir as escolas de samba “O meu pedido final... / Não deixe o samba morrer / Não deixe o samba acabar / O morro foi feito de samba / De samba pra gente sambar”.

Um abraço
Eduardo Morello